A Arte Pin-Up

Escrever um artigo sobre a história da Arte Pin-Up  não é uma missão tão fácil quanto parece, principalmente se você tem menos de 40 anos, é brasileira, e nunca esteve nos Estados Unidos, o maior consumidor, admirador e colecionador deste tipo de arte, além de ser o progenitor e propagador dela.
Ao contrário do que pensamos, pelo menos nós do lado de cá do Atlântico, as primeiras pin ups que surgiram não foram aquelas que estamos acostumados a ver. As belas garotas, ousadas e divertidas, com seus lábios vermelhos por batom, fazendo um biquinho como estivessem mandando beijinhos ou como se dissessem ''oops''; ao terem suas saias levantadas pelo vento, enroscadas acidentalmente, ou melhor, curiosamente, numa escada ou puxadas por um cãozinho fofo e brincalhão.
O registro das primeiras garotas do calendário surgiram muito antes do que imaginamos. Artistas como Norman Rockweel, Rolf Armstrong, Gil Elvgren, Art Frahm, Enoch Bolles, Alberto Vargas, Edward DAncona dentre outros, foram sucessores de grandes nomes hoje ''não mais lembrados'' como ha 50 anos ou mais, ou mesmo desconhecidos para os nascidos nas últimas décadas do século XX. A história dessa linda arte que já fora tida como sem relevância e marginal tem suas raízes ao longo do tempo em meados dos anos de 1800.
Primeira Parte
Chegando de Bicicleta


Quem poderia imaginar que a bicicleta fizesse  parte da história do surgimento das pin ups?
Se você não vê ligação entre uma coisa e outra vamos ao contexto.
No início do século 19 quando a bicicleta foi introduzida no mercado, as mulheres receberam a novidade com grande entusiasmo, logo elas não resistiram e começaram a utiliza-las. A facilidade de locomoção sem o auxílio de um cavalheiro sempre ao seu lado, fez da bicicleta um dos primeiros símbolos de liberdade, muito utilizada principalmente pelas mulheres do movimento sufragista*.
Ao adotarem o novo meio de transporte tiveram também que promover pequenas mudanças em seus guarda roupas pois as enormes saias composta por camadas e camadas de tecidos anáguas e armações não davam a elas a liberdade de movimento nem a a segurança que precisavam para utilizarem o ''veículo''.

Para maior segurança e conforto elas passaram a usar uma especie de calça feminina muito parecida com as bombachas por serem largas no estilo bufante. O visual foi visto como masculinizado para costumes da época mas em compensação as mulheres começavam a porem a mostra suas pernas, no início uma pequena parte, somente os tornozelos. a partir dessa história o tempo se encarregaria de tornar as coisas mesmos encobertas e mais interessantes.

As Primeiras Garotas Consideradas ''Pin-Ups''



A Garota Gibson


No final do século XIX, no ano de 1890 Charles Dana Gibson, um artista gráfico e ilustrador americano natural de Massachusetts, criou a sua ''Garota Gibson'' . Inspirando-se em sua bela e jovem esposa Irene Langhorne, e em suas quatro irmãs, Charles as retratavam em suas ilustrações publicadas na revista Life, a representação icônica da mulher jovem, bela e independente na virada do século XX.
A Personificação da Garota Gibson

Combinando elementos da imagem da antiga beleza feminina caucasiana, tais como a ''frágil senhora'' e a ''mulher voluptuosa'', surge a garota Gibson. Da frágil senhora ela tinha a forma esguia e um senso de respeitabilidade; da mulher voluptuosa, seios, quadris e nádegas fartas mas não eram vulgar ou indecente. A cintura era fina e torso tinha uma forma de S adquiridas pelo uso constante dos corsets estilo cisne-bill, um modelo que forçava a mulher a projetar-se para frente devido a uma vareta normalmente de osso ou madeira que era costurada entre camadas de tecido na parte da frente do corset, como as armações de aço nas peças atuais. Dessa forma as mulheres mantinham um postura que acentuavam o volume de seus bumbuns. Os cabelos eram presos no alto da cabeça, formavam um volume bufante como um topete e uma cascata de cachos perfeitamente compostos. A Garota Gibson era elegante e feminina, fazia parte da alta classe na sociedade, sempre vestida apropriadamente para qualquer situação, local dia e hora. Muitas modelos posaram para ilustrações da Garota Gibson além da esposa do artista que pode ter sido o modelo original. O retrato mais famoso foi provavelmente o da atriz de teatro belga-americano, Camille Clifford, cuja o penteado alto, vestidos elegantes e longos que envolviam sua figura de ampulheta sustentada firmemente por um corset ''cintura de vespa'' definiram o estilo.
Além da beleza refinada, ela mantinha-se sempre serena, confiante, independente e buscava a realização pessoal. Poderia ser representada cursando uma faculdade e disputando um ''bom partido'', mas nunca se envolvia diretamente em questões políticas como por exemplo o movimento pelo direito ao voto.
Ela também era sexualmente dominante. Os homens ilustrados por Charles D. Gibson foram retratados de forma cômica. Em uma de suas ilustrações, um homem é examinado por elas sob uma lupa e em outra, sendo esmagado embaixo de seus pés. Os homens fariam tudo por elas, dariam o que lhes pedissem, as seguiriam para qualquer lugar somente para realizar os desejos delas. Ao lado de sua elegante beleza sedutora e cativante eles pareciam atrapalhados e simplórios, mesmo os mais inteligentes, ricos e bonitos muitas vezes não poderiam satisfaze-la.

A Garota Gibson era geralmente solteira e descompromissada mas sempre na espera de que um romance a livrasse do tédio. Quando casada, era retratada como uma mulher que se frustrara pela perda do romantismo em seu casamento mas que se divertia em encontros com suas amigas e se alegrava na companhia dos seus filhos pequenos.

Uma outra imagem cultural das mulheres surgiu em torno do mesmo tempo que a Garota de Gibson, a chamada Nova Mulher. A Nova Mulher no entanto era aquela que se envolvia diretamente em questões políticas. Ela foi vista como um exemplo de mudança e ruptura dentro dos velhos padrões sociais, pedindo o direito de oportunidades educacionais e de trabalho iguais, bem como a reforma progressiva, a liberdade sexual e o direito ao voto. Enquanto a Garota de Gibson assumia muitas características da Nova Mulher, fez isso sem envolver-se na política e portanto, não pareceu aos seus contemporâneos estar usurpando funções tradicionalmente masculinas, como a Nova Mulher foi considerada. Por isso, ela conseguiu manter-se dentro dos limites de papéis femininos sem causar maiores confrontos entre os gêneros.Gibson acreditava que a imagem de sua ''garota'' representava a beleza das mulheres americanas.

'' Eu vou te dizer como eu tenho visto o que vocês tem chamado de '' A Garota de Gibson''. Eu a vi nas ruas, eu a vi nos cinemas, eu a vi nas igrejas.Vejo-a em todos os lugares a fazer tudo. Eu a vi passar devagar pela 5ª Avenida e no trabalho por trás dos balcões das lojas ...
...
Não há qualquer 'Garota Gibson", mas há muitas milhares de garotas americanas, e por isso vamos todos agradecer a Deus''.
Depois do sucesso da Gibson Girl muitas outras revistas seguiram o mesmo estilo da Revista Life. Howard Chandler Christy e Harry George Peter, foram dois dos grandes ilustradores que na virada do século contribuíram com seus trabalhos exaltando a beleza das mulheres americanas para o que viria a seguir, o surgimento da Pin-Up Art. O primeiro com sua versão da Garota Gibson com a Christy Girl, que fora criada em 1895 para The Century Magazine e o segundo com ilustrações da Mulher Maravilhaem mais de 100 edições da Sensation Comics, 95 da Wonder Woman além das Comic Cavalcade e Famous Funnies. Harrison Fisher com sua Fisher Girl também fez parte nessa história ilustrando para Puck Magazine e Cosmopolitan desde 1912 até 1932. Todas elas possuíam uma beleza similar.


Desenhos de Harry George Peter (Março/1880-1958)


























Ilustrações de Harrison Fisher (Jul/1875-Jan/1934)

Christy Girl


Howard Chandler Christy foi um artista de guerra, uma espécie de soldado especialmente designado para documentar através de desenhos in loco, cenas de guerra, que eram retratadas através da forma que o artista captava as imagens. Suas ilustrações durante a guerra Hispano-Americana foram publicadas nas revistas Scribner's e Harpre's e também na Collier's Weekly, que lhe trouxeram notoriedade com a publicação de sua série chamada "Men of the Army and Navy," além do retrato do Coronel Rooseveld que ilustrava a capa de uma outra série a chamada Rough Riders onde registrava-se histórias sobre o Primeiro Regimento Voluntário da Cavalaria dos Estados Unidos, três destes regimentos foram levantados em 1898 para a Guerra Hispano-Americana e este foi o único dos três a entrar em ação. Com fama e reputação construídas através de seus trabalhos como artista de guerra, Christy começa a ilustrar capas para inúmeras revistas, ele tornou-se ainda mais conhecido com pintura da ''Christy Girl'', uma espécie de releitura da ''Gibson Girl'', com suas peculiaridades que retratavam uma figura pitoresca e romântica da mulher na sociedade.
Cena na assinatura da Constituição dos Estados Unidos
(visualize imagem em tam. grande)



Durante a Primeira Guerra Mundial, o presidente americano Woodrow Wilson formou a Divisão de Publicidade Pictorial para agitar o patriotismo e inspirar novas tropas a lutarem. Uma das principais ''armas'' nos posters da propaganda militar incluíam mulheres bonitas, muitas vezes vestidas com sensuais conjuntos militares anunciando mensagens como: "Gee, I Wish I Was A Man Man. I’d Join the Navy," and "Be a Man and Do It." Em tradução livre: ''Caramba, eu desejaria ser um homem cara! Eu me juntaria a marinha'', e ''seria um homem e pronto!''.




...

No próximo post As Pin Ups do século XX. Do fim da I Guerra Mundial ao clímax nos anos dourados de 1950 e 1960. Aguardem!






Cintia Carvalho

Muito obrigada por sua visita, espero que tenha gostado do viu por aqui e espero ter a honra de seu retorno. Sua opinião é muito importante, conto com seu comentário. Beijinhos.

8 comentários:

  1. Acho lindo o estilo retro e coisas vintage. Eu seguiria o estilo pin-up sem pensar duas vezes se meu corpo não fosse tão magrinho. Acho que fica tão esquisito em mim, mas acho lindo quem segue o estilo. haha. Xoxo' <3
    Não sou uma It | YouTube | Fanpage

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  2. Adorei seu blog!
    Já estou seguindo e curti a pagina para não perder nenhuma novidade!
    Beijos.
    http://donamini.blogspot.com.br

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  3. @Lilly Silva realmente a estilo encanta! não se preocupe por ser magrinha querida vc pode adotar por exemplo o estilo de make das pin-ups, experimente!

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  4. @Yasmini Dias Obrigada flor, amo demais a page me divirto mto com ela que tem um astral bem descontraído. O blog é um grande desafio pra mim, fico feliz por ter gostado, bjoks!

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  5. Nossa quanta informação que eu não sabia! eu amo o estilo e adorei saber mais sobre!

    http://modaecajuoficial.blogspot.com.br/

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  6. @Kelly Ferreira Fico feliz em saber que o post te trouxe algo novo. A história é realmente rica de informações que hoje em dia não é muito contada. Obrigada pela participação, bjs.

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  7. Olá! Quero aproveitar este espaço e dizer que adorei o seu blog e este artigo. Sempre adorei coisas Vintage e Retrô, assim como também as Pin ups, e adorei saber mais sobre elas através deste artigo. Com isso gostaria de saber se eu também poderia utilizar este artigo numa revista que estou montando como um projeto para a faculdade, se você não se importaria de eu utilizar? Não iria deixar de dar-lhe os devidos créditos é claro deste artigo e Blog. Caso não se importe, eu ficaria muitíssimo agradecida, pois adoraria falar sobre elas e toda a sua história.
    Meus parabéns pelo blog! :)

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  8. Olá Bianca Santiago. Muito obrigada pelas palavras positivas a respeito do artigo e blog, fico imensamente feliz que tenha gostado tanto. Não pude responde-la antes, mas se você ainda tem interesse em utilizar o artigo a respeito, fico honrada e sim deixo a sua disposição (créditos são muito bem vindos!!! rsrs). Se puder disponibilizar seu trabalho/revista para que eu poste aqui seria bem bacana também. Qualquer coisa entre em contado através de um dos nossos e-mails acima em Contado. Beijos e boa sorte!

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