O Fenômeno Pin up

Gil Elvgren - "Well Seated" - November 1967 Brown & Bigelow Calendar

O que mais mais te atrai em uma pin-up?

O olhar provocante, as curvas perfeitas, os lábios convidativos ou aquele ar atrevido e malicioso? Cada detalhe faz de uma pin-up uma figura extremamente atraente e sexy na medida certa. A aparência impecável é um de seus doces atributos que despertam olhares e arrancam suspiros. Donas de uma beleza irretocável e uma jovialidade invejável, as pin-up possuem um magnetismo que atrai a atenção de todos a seu redor.


"I'm Just Trying it for Sighs" | Ilustração para o calendário Brown & Bigelow, 1948.

O fenômeno Pin-Up teve origem nos Estados Unidos nas revistas do final dos anos 1800 (leia sobre A Art Pin-Up), em periódicos como  a revista Life, cresceu na década de 1920 e atingiu seu ápice  durante o período da  Segunda Guerra Mundial, quando soldados penduram fotos e ilustrações de atrizes famosas da época, como Betty Grable, a garota das pernas de $1 milhão de dólares, precursora da figura pin-up, Marilyn Monroe a musa platinada de Hollywood, Bettie Page, a rainha das pin-ups e Rita Hayworth, a bombshell ruiva insuperável.  O sucesso de Rita em ''Gilda'' foi tão estrondoso, que os soldados americanos batizaram uma bomba com o nome da atriz. O que já causava um efeito estrondoso na sociedade desde as meninas descaradamente sensuais de Enoch Bolles durante os anos 20, ganhou mas força durante a segunda guerra, as bombshells  causavam literalmente um impacto arrasador por onde passavam. Tai o  termo usado como referencia as mulheres fatais.


A imagem da pin-up povoou o imaginário masculino alimentou fantasias e provocou tórridas cenas de ciúmes. Os homens as desejavam e as mulheres a invejavam! Ser na realidade, o que pin-up representava nas telas, nas revistas e nos calendários da Brown & Bigelow,  acabou transformando o comportamento das jovens de toda uma geração. As jovens em inicio de carreira,   encontrava na figura da pin-up, um caminho para alcançar o estrelato. A grande maioria das estrelas da época de ouro de Hollywood iniciaram suas carreiras posando como modelos para ilustradores como Gil Elvgren e Earl Moran, esses artistas fotografavam e posteriormente ilustravam suas modelos, a maioria delas alcançaram sucesso, em parte, graças ao talento destes dois mestres. A revista Esquire serviu como vitrine por muitos anos dando notoriedade  para os artistas  e suas belas garotas.

Meia calça, ligas e algo mais...





... batom vermelho, vestidos esvoaçantes, lingeries glamourosas, as meias e ligas sempre a mostra e  os indispensáveis sapatos de salto alto, compunham o visual básico de uma autentica pin-up cheesecake. Produzidas para seduzir, as graciosas e sensuais  garotas  do calendário possuem  um poderoso apelo visual impossível de ser ignorado, elas  seduzem naturalmente até os mais reservados.



A figura da pin-up garantia o sucesso onde estivesse presente. Das paredes dos alojamentos de soldados, às páginas das revistas de maior circulação durante a primeira do século XX, o poder das pin-ups foi tão intenso que além de  transformar-las em um fenômeno  artístico e cultural, invadiu o mundo dos negócios conquistando a maior parte do mercado publicitário além de uma multidão de clientes satisfeitos. As belas garotas eram perfeitas no que faziam; entretinham e vendiam praticamente qualquer produto que tivesse sua imagem vinculada, de cigarros a carros, de cerveja à eletrodomésticos. Foi a garota propaganda  ideal.



Grande parte desse sucesso se deu por causa da exposição da figura pin-up durante a guerra, quando o Conselho de Publicidade de Guerra do então Presidente norte americano, Franklin D. Roosevelt, usou como tática de encorajamento as figuras das belas, excitantes, inocentes e ao mesmo tempo ousadas e insolentes, moças do calendário por quem eles bravamente lutavam. As ilustrações eram enviadas ao exterior juntamente com os suprimentos aos jovens soldados que longe de seu país e de suas amadas, alimentavam a imaginação e o desejo de retornar. Simultaneamente enquanto os soldados travavam uma sangrenta luta armada longe de casa, mulheres enfrentavam suas próprias batalhas diárias, lutando por si, pela família e por seu país. 
A tática empregada pela propaganda de guera foi um sucesso tanto durante, quanto depois da guerra.



Não havia um soldado que não possuísse uma ilustração pi-up, elas se tornaram o sonho americano da mulher ideal, a namoradinha da América. A guerra terminou, as tropas retornaram proporcionando todo tipo de comoção de toda nação, e as ilustrações passaram a exercer  um papel novo e fundamental na construção da imagem da sociedade americana estimulada pela efervescente economia do pós-guerra. Agora longe dos campos de batalha, a imagem da mulher perfeita passou a ser criada  com a finalidade de  impulsionar o consumismo nacional servindo como material de propaganda para todo tipo de produto disponível no mercado. O mundo mudara e as pin-ps deixaram sua marca nesta mudança; o fenômeno pin-up estava mais que consolidado,  elas eram a cara de uma nação próspera e exuberante e isso refletia diretamente no comportamento das mulheres da América.

Alberto Vargas | November 1975 | Playboy Magazine

No final dos anos 50, a figura da pin-up como  ilustração começou a perder popularidade. A chegada da revista Playboy causou uma revolução estampando em suas páginas, fotografias de modelos e atrizes nuas, que estavam plena ascensão, as ilustrações até então consideradas o ápice da representatividade da sensualidade feminina foram perdendo espaço a cada edição. As figuras já não eram mais tão desejadas como antes, agora, ao invés de penduradas nas paredes como verdadeiras símbolos de veneração, as revistas contendo imagens censuradas para menores, invadiam garagens, oficinas e os colchões daqueles homens que haviam retornado da guerra. As meninas de Vargas, Elvgren, Moran, Driben, Brule, Moore, Petty e tantos outros artistas que alcançam a fama  nos áureos tempos dos calendários ilustrados, saíram de cena. Era vez da fotografia substituir os desenhos. A exposição da nudez sem pudor era cada mais valorizada em termos financeiros, era a vez das ''coelhinhas'' da Playboy ganharem fama e conquistarem a atenção dos homens pelo mundo.


Quase 3 décadas mais tarde, em meados dos nos anos 80, colecionadores nostálgicos começaram a resgatar as obras esquecidas nos porões da América. Milhares de ilustrações passaram de mão em mãos até recebessem novamente a devida atenção e valor. Desde então um imenso acervo foi recuperado, entre eles estão obras clássicas originais e raras, que hoje valem alguns milhares de dólares. Coleções inteiras de dezenas dos mais conceituados artistas foram compiladas e catalogadas fazem parte de  livros ilustrados  e muitos dos originais em óleo sobre tela estão expostos em museus dedicados aos maiores representantes da Arte Pin-Up do século XX, outras estão em posse de familiares e colecionadores. Graças a este resgate  artístico, o fenômeno pin-up que a princípio fora predominantemente americano, ressurge rompendo fronteiras e promovendo um grande revival do estilo de vida de toda a primeira metade do século passado conquistando cada vez mais  novas adeptas e admiradores em todo mundo.


Hoje, a tecnologia através da internet nos permite o acesso as obras dos maiores mestres da Arte Pin Up Clássica, através da digitalização de imagens. uma verdadeira maravilha moderna!  Essa disponibilidade tem colaborado para conhecimento e enriquecimento artístico-cultural de todas as classes sociais ao redor do mundo. No Brasil, milhares de mulheres desde adolescentes à senhoras se inspiram  no conceito pin-up. Elas encontraram na figura da pin-up, não um padrão ideal de beleza, mas uma referencia de como despertar e desenvolver sua autoestima e feminilidade através da essência reproduzida por todo contexto do que é uma pin-up.


A grande maioria que seguem o estilo, apesar de considerarem pin-up, não reproduzem o visual em seu dia a dia. Elas normalmente fazem parte de grupos que tem em comum a mesma paixão, trocam informações e organizam animados encontros regados com muita música e produções impecáveis, quando revelam todo seu lado pin-up em frente as lentes das câmeras fotográficas em belíssimos ensaios e concursos cuidadosamente organizados.

Engana-se quem pensa que as mulheres foram apenas posavam para as ilustrações. Não! Elas não só foram as modelos como também foram artistas tão talentosas quanto os homens. No passado tivemos grandes ilustradoras como Zöe Mozart, Joyce Ballanyne, Pearl Frush e Maxine Stevens, esposa do também artista pin-up, Edward Runci.
Atualmente, Fiona Stephenson e Olivia De Berardinis são as mais requisitadas como artistas pin-ups.  Stephenson disse: ''Parece que o gênero pin-up é dirigido por mulheres, de dançarinas burlescas a artistas como eu.''
E parece que ela tem toda razão! Hoje, o maior público das pin-ups não é masculino, e sim feminino!
As mulheres são as que mais compram produtos relacionados a arte pin-up.
''Bunny Girl'' |2013 | Para Playboy | Por : Fiona Stephenson
A pin-up do século XXI,  tem a importante missão de dar continuidade ao resgate da memória do  período de maior expressão e crescimento da história da sociedade moderna. Elas trazem com muito charme, uma vivacidade contagiante ao que estava relegado ao obsoleto, principalmente a influencia sobre moda. O cinema clássico, muito apreciado pelos cinéfilos amantes dos anos dourados é  outra fonte preciosa de inspiração para pin-ps modernas. Quando muitos acharam que o movimento retrô seria passageiro, se surpreendem com o crescimento do renascimento da cultura vintage.
Vida ao fenômeno pin-up de todas as épocas!!



📍Nota

Queridos leitores e #pinuplovers, confesso (mais uma vez) que tenho um fraco por ilustrações clássicas e quando preciso usa-las, acabo podem ver, exagerando na quantidade. A princípio este post seria exclusivamente sobre ilustrações pin-up usando meias calças e ligas, mas, conforme fui escrevendo, a ideia evoluiu para um assunto mais amplo. Literalmente acabou rolando um  algo mais durante a criação do texto, o que foi maravilhoso, pois simplesmente amei escrever este artigo. Como já havia previamente selecionado algumas imagens, decidi seguir em frente e incluí-las no artigo. Por isso, não sei se notaram a feliz ''coincidência''; na maioria delas, as garotas estão usando meia-calça; o fetiche pin-up! (seria este o título inicialmente). 
Como sempre, a maior dificuldade foi decidir quais imagens usar. São tantas que encontrei, uma mais linda que outra que me deixaram dividida na hora de escolher, algumas ficarão para o próximo.
Quando se trata de pin-ups, o ditado, menos é mais não se aplica; quanto mais pin-up, melhor! Já estou pensando seriamente em fazer um (longo, muito longo) post só com imagens das meninas... . Bem, por hoje é tudo pessoal! Bjs e até mais.


Soul Retro

Muito obrigada por sua visita, espero que tenha gostado do viu por aqui e espero ter a honra de seu retorno. Sua opinião é muito importante, conto com seu comentário. Beijinhos.

2 comentários:

  1. Pin-up Art é incrível né? Gosto muito dos trabalhos do Vargas e dos seus antecessores.

    Beijos,
    Pri
    www.vintagepri.com.br

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    1. D+! Vargas foi fenomenal, ele e todos os clássicos!
      Beijinhos,
      Cíntia
      💋

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